Casa da Cascata - Ohiopyle, Estados Unidos – Arq. Frank Lloyd Wright – 1934

Decomposição dos volumes em planos e remontagem de maneira casual, assimetria e integração com a natureza.

 
Igreja de São Francisco da Pampulha – Belo Horizonte, Brasil – Arq. Oscar Niemeyer - 1943

Formas curvilíneas, assimetria e integração com a natureza.

Arquiteturas do Século XX - Segunda Parte (06-2002)

Paralelamente ao modernismo racionalista, surgia no início do século XX outra corrente modernista, o chamado modernismo organicista, ou arquitetura moderna orgânica. Como o próprio nome indica, a corrente organicista procurava nas linhas da natureza as formas para composição dos volumes e imagens, e, mais importante, tentava integrar ao máximo possível o edifício à paisagem, sem contrapô-la, muito menos agredi-la. Em certo sentido, a corrente orgânica era uma mudança mais radical do que a corrente racionalista em relação à arquitetura do século XIX.

Não havia oposição frontal entre as correntes, mas, apesar de haver muitas características semelhantes, como a eliminação do decorativismo e do simbolismo e a simplificação das linhas, certos aspectos da corrente racionalista não eram aceitos na corrente orgânica:

  • Os edifícios deveriam ser assimétricos. A simetria não era aceita pois não existiria na natureza. Este aspecto é questionável, pois existe simetria tanto nos reinos vegetal como animal;
  • A ortogonalidade e as linhas retas deveriam ser evitadas, pois não existiam na natureza, embora fosse difícil obedecer esta regra;
  • A repetição dos elementos deveria ser evitada;
  • Composição dos volumes em planos independentes. Uma caixa deveria ser decomposta em planos, que seriam remontados de maneira casual, como ocorre na natureza;
  • O estilo internacional não seria possível, pois a arquitetura deveria adaptar-se às características de cada região. Neste aspecto, ficou provado que a posição dos organicistas estava correta. Muitas obras racionalistas não tiveram sucesso por não respeitarem as características locais (clima, topografia, cultura, materiais, etc.).

É importante lembrar que não havia uma linha demarcatória bem definida entre as correntes racionalista e organicista. Arquitetos de uma corrente, freqüentemente trafegavam pela outra, dependendo das necessidades de cada projeto em particular, da fase das suas respectivas vidas profissionais, e, porque não dizer, de seu próprio estado de espírito.

No Brasil, Oscar Niemeyer bebeu das fontes racionalista e organicista e agregou ainda a riqueza formal e sensualidade da arquitetura colonial a sua obra, traduzindo o dito estilo internacional para uma realidade tropical, inspirada na natureza exuberante, na variedade da paisagem e nas formas curvilíneas da mulher brasileira, outra paixão do mestre.

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