Gordon Wu Hall - Princeton, Estados Unidos – Arq. Robert Venturi – 1983

Simetria, simbolismo e decorativismo.

 

The Humana Building - Louisville, Estados Unidos – Arq. Michael Graves – 1982-1985

Simetria, simbolismo, elementos clássicos e contradição. É notável o contraste com o edifício racionalista vizinho.

Arquiteturas do Século XX - Terceira Parte (06-2002)

Na segunda metade do século XX, a arquitetura ocidental já havia respondido às solicitações primárias da sociedade industrial. O mundo entrava em uma nova fase no pós-guerra, a revolução tecnológica. Energia nuclear, computadores, motores a jato, televisão e outras conquistas, entravam rapidamente na vida das pessoas e passavam a fazer parte de seu dia a dia. Da mesma forma que vinham, as novidades rapidamente eram superadas e descartadas. Tudo passou a ter vida efêmera. Era a sociedade de consumo nascendo ávida por novos produtos. A arquitetura teria de se posicionar a respeito desta nova postura da sociedade.

A partir dos anos 60, motivados pelas modificações culturais na sociedade e pelo fracasso de certas obras racionalistas, alguns arquitetos, notadamente nos Estados Unidos, começaram a questionar alguns antigos dogmas modernistas. Por que abrir mão dos elementos de decoração? Por que não usar símbolos? O que há de errado com a simetria? Por que renegar os estilos clássicos? Começava a nascer uma nova corrente arquitetônica, desta vez antagônica ao modernismo como um todo, o chamado "pós-modernismo".

Na falta de um termo melhor, a expressão pós-modernismo tentava identificar tudo o que vinha após o modernismo. Na realidade, é difícil definir o pós-modernismo, porque ele bebeu de todas as fontes arquitetônicas ocidentais, até mesmo do modernismo, apesar de renegá-lo em muitos aspectos. O arquiteto norte-americano Robert Venturi, um dos principais protagonistas e teóricos do pós-modernismo, traçou um paralelo de características antagônicas entre o pós-modernismo e o modernismo.

   

Pós-modernismo

 

Modernismo

   

Complexidade, contradição

 

Simplificação

   

Ambigüidade, tensão

 

Inicidade

   

Inclusividade

 

Exclusividade

   

Hibridismo

 

Puritanismo

   

Vitalidade emaranhada

 

Unidade óbvia (ou objetividade integrista)

Fica claro no paralelo traçado por Venturi, a intenção de se contrapor ao modernismo. Esta preocupação sempre partiu dos pós-modernistas. Em geral os modernistas continuaram a seguir suas regras, ficando no máximo espantados com as obras pós-modernas.

Embora de características efêmeras, com obras muitas vezes relacionadas a cenários descartáveis, executadas com meros fins comerciais, o pós-modernismo teve o mérito de sacudir o marasmo criativo que assolava a arquitetura moderna nos anos 60 e 70. Parecia que tudo já havia sido inventado, e que o que se fazia era simplesmente reproduzir as soluções consagradas. Os pós-modernistas não tinham medo de introduzir elementos clássicos em seus projetos, como colunas jônicas e frontões, e misturas aparentemente absurdas, instigando o observador a se questionar e a se posicionar a respeito, aplaudindo ou vaiando. O pós-modernismo é intencionalmente polêmico e, neste sentido, teve amplo êxito.

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